Trajetória da Instituição

Na origem

Em uma época não tão distante, uma mulher negra, pobre, vinda de uma família grande e humilde se vê em uma situação crítica. Enfermeira em uma instituição de saúde ela se depara com diversos pacientes - acometidas por uma moléstia incomum – serem despejadas do Hospital devido ao tratamento difícil e dispendioso.

Essa mulher de baixa estatura, mas de uma bondade imensa, rapidamente se solidariza à condição apresentadas por aquele grupo de indivíduos e em uma decisão radical decide acolher os enfermos desamparados em sua própria casa.

Talvez seja fácil dar nome ao seu ato ali iniciado e mantido até o final da sua existência terrena, 49 anos depois. Contudo, difícil é para a maioria de nós, compreender sentimentos que não possuímos. De onde proviria tanto amor e que sustentaria tantas vidas?

Naquele momento, significativo para muitos a partir dali, provavelmente recebia ela as moedas da parábola de Jesus. Sua bondade falou mais forte e, na bravura dos que já alcançaram o cume do monte vencendo as lutas do vale, começou o trabalho da distribuição dos pães e dos peixes que se multiplicavam em suas mãos. Incontáveis são as outras histórias de vida, que se sustentaram na força daquele sentimento e se abrigaram no conforto daquela paz.

Necessitados chegam de todos os cantos. Noutra ponta companheiros  compareceram e apoiavam o trabalho, arrastados pela força de amor em ação. Organizavam-se atividades várias, que se sucediam uma a uma, trazidas pelas necessidades dos que chegavam, sem cessar. Lutas incessantes, dramas, trabalhos infindáveis. E a caridade como essência de tudo.

Foi em 1957, que o Hospital do Fogo Selvagem surgiu, dando condições legais ao funcionamento das atividades de acolhimento e tratamento aqueles acometidos pelo pênfigo, bem como ao seu grupo familiar.

A expansão e a variedade dos atendimentos exigiam de maneira determinante, providências específicas: atividades de educação formal e profissional foram estabelecidas; moradias providenciadas quando e como possível; assistência médica especializada para os casos de maior complexidade e tratamentos de longo curso.

Reafirmando outros dos ensinamentos de Jesus, a fé removia as montanhas das dificuldades oferecendo forças e caminho a todos que, no sofrimento, buscavam o amparo da caridade.

As grandes mudanças

O propósito de Dona Aparecida sempre foi o amor ao próximo, a expressar-se na caridade simples e natural. Os mestres trabalham, ensinam e se vão, para que os aprendizes moldem na base dos conhecimentos deixados de uma condição espiritual própria, condição essa inerente a “Vó Cida”. E desse legado, empenha-se o Lar da Caridade na continuidade desse propósito.

Tudo passa” acalmava assim nossa Mãe Espiritual as inquietudes no coração do Chico. “Isso também passa”, observa-lhe judiciosamente Emmanuel nos momentos das bonanças. Guarda no teu coração os tesouros da tua vida, que estes de acompanharão onde fores, pela eternidade, ensinou Jesus, pois permanente é a caminhada do ser em direção a Deus.

Assim viu o Lar passarem as circunstâncias e as ações que estas requeriam.

De duas dezenas de assistidos a centenas deles. De indivíduos a famílias. De alguns momentos ou dias, há anos que ainda continuam a correr. Do acolhimento aos enfermos ao acolhimento de crianças em desamparo. Dos cuidados básicos de casa e comida, à necessidade de educação rudimentar e desta ao ensino regular e à orientação profissional e moral. Surge a escola, o ensino profissionalizante e logo após ações educacionais. Necessidades sempre desmedidas, mas sempre atendidas por anjos encarnados em atendimento ao apelo do Pai, velando pelos filhos menores. O Lar assim se fazia ponto de encontro da Luz a balsamizar sofrimentos.

O número dos acometidos de pênfigo caiu significativamente ao longo do tempo, mas a natureza das necessidades daqueles que buscavam o Lar caracterizavam o novo e árduo campo de luta. As doenças não mais se materializavam na pele, mas eram visíveis e intensas na alma, desestruturando indivíduos, afetando grupos familiares, organizações sociais e políticas. Na urgência do momento, a alma adoecida pede o amor como solução e curiosamente, nos vemos voltando ao início e reaprendendo com Dona Aparecida a prática da caridade simples e natural.

Nos momentos críticos, permanecemos com disposição para o trabalho e esse, com certeza será o mecanismo onde Deus nos enviará o recurso saneador ou a orientação precisa. Em agosto de 2013, recebemos esclarecimentos espirituais. O espirito Jésus Gonçalves pontua a nós, encarnados e envolvidos nas atividades do Lar da Caridade, considerações que nos permitimos compartilhar reproduzindo o texto psicografado pelo médium Luiz Cláudio de Sousa, em reunião pública na noite de 17.08.2013.

“Irmã Ivone,

Jesus seja conosco.

O soerguimento da obra é o burilamento dos corações responsáveis na tarefa.

O uso abusivo soa recursos e imposição do personalismo são expressões das trevas ínsitas ao próprio Lar da Caridade.

As chamas foram acesas contra os opositores de crenças no pretérito e, no passado próximo, nossa venerada Cida recolheu intolerantes criminosos sob a bandeira da caridade generosa.

Todavia, que fogueiras estão ardendo intramuros, impondo do plano superior paciência até que os humanos interesses se arrefeçam e os fins maiores retornem a serem legítimos desejos na intimidade dos que deveriam estar operando?

O veto do desenvolvimento da obra persiste enquanto os titulares do dever herdado de nossa Aparecida insistirem em equívocos de condução do serviço e de si próprios.

Recordemos melhor nos seja arrancar o olho e sê-lo motivo de queda e escândalo.

Se nos busco o apelo aos maiores, pedimos a todos a honesta revisão de suas aptidões e interesses.

Do reverso, ficando a inação da modificação subjetiva, o lar da Caridade ficará museu dos tempos honrosos da generosidade, perdendo o status de obra do nosso senhor.

Que se questionem o valor e a razão de seus impositivos. Que há? No que se progrediu, mantendo fundamentos cuja aplicação mostra-se apoucada em resultados quando não ineficiente?

Entenda, Ivone, que lavoura requisita o lavrador atendo contra parasitas.

E se nós lhe falamos com franqueza, receba como expressão de nosso olhar atento a você e aos seus.

Abandono hoje a poesia e saio em dissertação livre. A poesia é uma imagem, nem sempre enxergada.

Por isso, vou ao ponto cirúrgico para arrancar contigo o cancro. Separo com você o joi do trigo, se me desejar ao seu lado.

Do irmão próximo e servo de tua obra, Jésus Gonçalves.”

Impossibilitados na continuidade do tratamento aos acometidos pelo pênfigo, em decorrência dos elevados custos financeiros que seu tratamento exigia e, em obediência às leis e normas que hoje regulam o funcionamento da saúde institucional no País, configurando crime de responsabilidade o seu descumprimento e ainda sendo o seu tratamento médico possível na rede assistência médica pública, o Lar da Caridade então firmou um convênio com a UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro, disponibilizando gratuitamente suas instalações para onde fossem transferidos os serviços de onco hematologia prestados pelo Hospital das Clínicas daquela Universidade.

Firmes em nosso propósito, não interrompemos as atividades de caridade iniciadas por Dona Aparecida e, seguindo nossa vocação direcionamos nossas as ações para o atendimento das necessidades que se apresentavam. Mudaram as carências dos irmãos que buscam o amparo e rogam acolhimento; prepara-se a Casa de Dona Aparecida para atendê-los. Curiosamente, aos olhos descuidados do mundo, a Santa casa de Misericórdia, local de onde saiu Dona Aparecida para cuidar dos seus adoecidos de coração também evolui e hoje é o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM e recebe hoje como fruto do trabalho de Dona Aparecida, espaço pronto para o cuidado de outros necessitados, em tratamento de oncologia, encaminhando solução para atendimentos que não mais eram comportados no ambiente que dispunham. A economia de Deus não se engana.

Os trabalhos prosseguem

O Hospital Pênfigo se reorganiza, mantendo-se Lar da Caridade, almejando um dia alcançar efetivamente o posto de “Casa do Amor de Deus”, no plano material. Se não temos Dona Aparecida e o Chico fisicamente, os temos espiritualmente naquilo que fizemos juntos, todos nós, com amor em nome de Deus.

Nosso ânimo e sustentação provém de Deus, na figura dos amigos que nos amparam de longe, dos que nos visitam, dos que compartilham conosco seus momentos de trabalho na melhoria de suas vidas e da espiritualidade que vale por todos. Assim, caminhamos juntos na tarefa da caridade e juntos indo em direção do amor de felicidade.

 

 Nos exemplos de Dona Aparecida, na sua presença na vida do Lar da Caridade no amparo e no carinho dos mentores espirituais que nos assistem, continuamos no aprendizado e procuramos mesmo em nossas imperfeições, a amar o próximo como a nós mesmos.

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